História de Miguel Pereira Santos
A administração norte-americana processou a Universidade de Harvard esta sexta-feira, acusando a instituição de ensino superior de não conter a discriminação antissemita contra alunos judeus e israelitas, noticia o Politico. Com esta ação judicial o executivo de Donald Trump procura deixar de pagar bolsas à reputada universidade da Ivy League.
Além disso, a administração federal reclama o reembolso de todas as bolsas pagas a Harvard desde 7 de outubro de 2023, dia do ataque do Hamas que precipitou a guerra com Israel. O jornal Politico alerta que o resultado deste litígio judicial pode igualmente criar uma oportunidade à administração Trump para fechar a torneira ao financiamento à universidade.
O Departamento de Justiça sustenta que, desde o 7 de outubro, estudantes judeus e israelitas de Harvard têm sido “assediados, agredidos fisicamente, perseguidos e alvo de cuspidelas”. Estes alunos “têm suportado um ambiente educativo hostil” e foi-lhes “repetidamente negado o acesso às instalações educativas por manifestantes antissemitas”, acrescenta-se na ação de judicial de 44 páginas apresentada no Tribunal Distrital de Massachusetts. “A resposta de Harvard a esta situação: nada fazer.”
A Universidade de Harvard não respondeu aos pedidos de comentário por parte do jornal Politico. No entanto, o reitor reconheceu que o antissemitismo é um problema no campus em março de 2025. Alan Garber, que é judeu, assegura que a direção tem trabalhado para resolver a questão. “Nos últimos quinze meses, dedicámos esforços consideráveis a combater o antissemitismo”, escreveu na altura.
O confronto entre Trump e Harvard tem um longo historial, porém, a ação judicial interposta esta sexta-feira é vista como a medida mais severa adotada pelo Presidente dos EUA. Ao processar a universidade, Trump procura receber um montante de cerca de mil milhões de dólares (864,9 milhões de euros) em indemnizações.
A administração Trump anunciou há quase um ano uma “revisão abrangente” dos subsídios e contratos federais com a Universidade de Harvard, que estão avaliados em 9 mil milhões de dólares. Entretanto, congelou mais de 2 mil milhões de dólares desse montante total e procurou excluir estudantes estrangeiros de se matricularem na universidade.
Na altura, Harvard respondeu com uma ação judicial contra a administração central, vendo um juiz federal dar-lhe razão. A tentativa de congelar os fundos federais foi considerada ilegal tal como o impedimento das matrículas de estudantes internacionais.