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O início do ano trouxe obstáculos para a China, que enfrentou dificuldades nas exportações devido às tarifas impostas pelo governo de Donald Trump. Contudo, o país encerrou o período de maneira notável, alcançando um superávit comercial sem precedentes e ultrapassando, pela primeira vez, o patamar de um trilhão de dólares, marcado como um feito histórico para sua economia.
3,4 trilhões de dólares em vendas externas

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O superávit comercial corresponde basicamente à diferença entre o valor das exportações e importações de um país. Em 2025, a China exportou 3,4 trilhões de dólares (em escala americana), enquanto suas importações ficaram em 2,3 trilhões, conforme dados da Administração Geral das Alfândegas da China.
Longe de gerar o impacto pretendido pelos Estados Unidos com a imposição de tarifas ao país asiático, que chegaram a atingir 145%, as ações de Donald Trump ocasionaram o efeito oposto, levando a China a expandir suas exportações e buscar novos mercados além da América do Norte.
Assim que a vitória de Trump foi confirmada no final de 2024, a China passou a fortalecer relações comerciais com outros parceiros, especialmente no Sudeste Asiático, América Latina e Europa.
A essa diversificação, somam-se as novas fábricas criadas pela China fora do próprio território, possibilitando acesso a produtos com tarifas reduzidas ou inexistentes. Países como México, África e o Sudeste Asiático destacam-se nesse processo.
Soma-se ainda o fato de a China ter se consolidado como a principal fábrica do planeta, tornando a questão aparentemente simples. No entanto, a capacidade de produzir desde vestuário até carros elétricos e semicondutores, entre muitos outros itens, garante ao país uma vantagem competitiva considerável.
No ano de 2025, o crescimento expressivo do superávit em mercadorias foi impulsionado principalmente pela alta tecnologia, indústria automotiva, construção naval e semicondutores (em destaque na imagem), segmento em que a China elevou suas exportações em 24,7%, chegando a competir com líderes consolidados, como a Nvidia.
E tudo isso enfrentando um desafio adicional: as tarifas impostas pelos Estados Unidos. Embora tenham diminuído consideravelmente, a média das tarifas sobre produtos chineses gira em torno de 37%, o que gerou uma queda de 29% nos embarques chineses para os Estados Unidos até novembro de 2025.
Essa retração foi compensada por um aumento de 15% nos embarques chineses para a União Europeia e uma elevação de 8,2% nas exportações ao Sudeste Asiático.
Além disso, segundo a AlJazeera, a manutenção do renminbi (moeda oficial chinesa) em patamares baixos favoreceu exportações com preços acessíveis, ao passo que as importações tornaram-se mais onerosas para o consumo interno.
O aspecto mais impressionante desse superávit comercial não reside no valor atingido, mas sim no percurso que a China realizou para conquistar esse patamar.
Esse superávit de um trilhão resulta de cinquenta anos de políticas industriais, levando a China de uma sociedade agrícola nos anos 1970 à condição de segunda maior economia global.
Vale lembrar que a ascensão da China começou nos anos 1980, quando o país se consolidou como fornecedor confiável de produtos manufaturados de baixo custo, como camisetas e calçados.
Ao longo de quatro décadas, o país passou da produção desses itens a bens de maior valor agregado, como veículos elétricos e painéis solares, seguindo um planejamento econômico rigoroso e execução eficiente.
Adicionalmente, a China detém posição de destaque na extração de metais de terras raras, sendo responsável por quase 70% da produção mundial, proporção que sobe para 90% quando se trata do processamento desses materiais para uso comercial. Dos 17 metais de terras raras da tabela periódica, 12 estão presentes na China.
Naturalmente, com a China se destacando como potência em expansão e buscando novos parceiros, esses novos aliados também mostram entusiasmo em fortalecer e aprofundar relações comerciais com o país asiático.
Nos últimos meses, o número de líderes europeus que visitaram Xi Jinping cresceu consideravelmente. Entre eles, Pedro Sánchez, Ursula Von Der Leyen e Emmanuel Macron.
O fato de os Estados Unidos se tornarem um parceiro considerado instável facilitou a aproximação entre blocos econômicos e permitiu à China consolidar-se como o centro dessa nova aliança internacional.
Diante desse cenário, se 2025 foi um ano excepcional para a China, as expectativas para 2026 são ainda mais positivas, já que se espera que os produtos e serviços chineses se consolidem e se integrem cada vez mais no mercado global.