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O QUE É O "CONSELHO DE PAZ" QUE TRUMP QUER CRIAR E QUEM JÁ ACEITOU O CONVITE?
A criação do novo organismo internacional tem gerado polémica por colocar em causa o papel das Nações Unidas. Portugal recebeu o convite para integrar o "Conselho de Paz" a 16 de janeiro, mas ainda não tomou uma decisão.
Por Miguel Filho
Publicado em 21/01/2026 13:51
ACTUALIDADE

Por Verónica Moreira

 

 Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está a promover a criação de um novo organismo internacional, designado "Conselho de Paz", destinado a assumir um papel central na resolução de conflitos armados, começando pela guerra entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza. A iniciativa, no entanto, vai muito além do conflito palestiniano e tem gerado polémica internacional por poder desafiar diretamente o papel das Nações Unidas.

Embora tenha sido inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza após mais de dois anos de guerra, a carta enviada pela Casa Branca aos países convidados atribui ao novo órgão um mandato global.

Segundo o documento, o Conselho visa "promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima e garantir uma paz duradoura" em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos armados.

O texto critica explicitamente instituições internacionais que "falharam repetidamente", numa alusão às Nações Unidas, e defende a criação de uma estrutura mais "ágil e eficaz".

Na terça-feira, o Presidente norte-americano admitiu aos jornalistas que o "Conselho de Paz" pode eventualmente tornar a ONU obsoleta, mas insistiu que o organismo internacional deve continuar a existir.

 

"Acredito que devemos deixar a ONU continuar, porque o potencial é muito Embora tenha sido inicialmente concebido para supervisionar a reconstrução de Gaza após mais de dois anos de guerra, a carta enviada pela Casa Branca aos países convidados atribui ao novo órgão um mandato global.

 

Segundo o documento, o Conselho visa "promover a estabilidade, restaurar uma governação fiável e legítima e garantir uma paz duradoura" em regiões afetadas ou ameaçadas por conflitos armados.

O texto critica explicitamente instituições internacionais que "falharam repetidamente", numa alusão às Nações Unidas, e defende a criação de uma estrutura mais "ágil e eficaz".

Na terça-feira, o Presidente norte-americano admitiu aos jornalistas que o "Conselho de Paz" pode eventualmente tornar a ONU obsoleta, mas insistiu que o organismo internacional deve continuar a existir.

"Acredito que devemos deixar a ONU continuar, porque o potencial é muito grande", disse.

Quem vai fazer parte?

Donald Trump convidou cerca de 60 países para serem membros fundadores, incluindo a Rússia e a China.

Até agora, apenas alguns aceitaram oficialmente: Canadá, Alemanha, Argentina, Hungria, Egito, Marrocos, Albânia, Cazaquistão, Uzbequistão, Vietname, Catar, Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Azerbeijão e Paraguai.

Também o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, aceitou esta quarta-feira o convite de Trump para integrar o "Conselho de Paz", segundo comunicado oficial do seu gabinete.

"O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu aceitou o convite do Presidente dos EUA, Donald Trump, para integrar, como membro, o Conselho de Paz", lê-se num comunicado.

Em contrapartida, vários parceiros europeus manifestaram reservas ou recusaram participar.

França e Noruega rejeitaram formalmente a adesão. Fontes próximas do Presidente francês, Emmanuel Macron, afirmaram que o país recusou a adesão por considerar que a proposta excede o âmbito do conflito em Gaza e levanta questões sobre "o respeito pelos princípios e a estrutura das Nações Unidas, que não podem ser questionados".

Em resposta, Donald Trump ameaçou impor tarifas de 200% sobre vinhos e champanhes franceses.

E Portugal?

Portugal recebeu o convite no dia 16, mas ainda não tomou qualquer decisão.

O Governo está a analisar a proposta, consultando parceiros internacionais e aguardando esclarecimentos das autoridades norte-americanas.

O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, admitiu ter "algumas dúvidas" sobre a configuração do organismo, sublinhando que, se o Conselho fosse apenas dedicado a Gaza, Portugal participaria sem reservas.

"A forma como está escrita a carta é um pouco equívoca", disse.

Como vai funcionar o Conselho?

De acordo com o projeto de estatuto, Donald Trump será o primeiro presidente do Conselho de Paz, com poderes muito alargados. Só o Presidente dos EUA pode convidar novos membros, podendo igualmente revogar participações, salvo oposição de dois terços dos Estados-membros.

Os países aderentes terão mandatos de até três anos, renováveis pelo presidente do Conselho. No entanto, os Estados que contribuírem com mais de mil milhões de dólares no primeiro ano ficam isentos desse limite, garantindo um lugar permanente.

Para já, Trump nomeou um comité executivo composto por figuras próximas: o secretário de Estado Marco Rubio, o enviado especial para Gaza Steve Witkoff, o genro Jared Kushner, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, o diretor-executivo da Apollo Global Management Marc Rowan, o conselheiro de segurança Robert Gabriel e o presidente do Banco Mundial, Ajay Banga.

Além disso, criou também um comité executivo específico para Gaza, em apoio ao Alto Representante para Gaza, o búlgaro Nikolay Mladenov, e ao Comité Nacional para a Administração de Gaza, formado por tecnocratas palestinianos.

Este comité inclui membros do Catar e da Turquia, o que provocou protestos do Governo de Netanyahu, que considera que alguns dos seus integrantes toleram o Hamas.
 
 
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