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SE CELEBRARMOS, PODEM MATAR-NOS: VENEZUELA VIVE ONDA DE REPRESSÃO APÓS ATAQUE DOS EUA
Por Miguel Filho
Publicado em 07/01/2026 14:12
ACTUALIDADE
Manifestação de chavistas em Caracas. Foto de Rosana Silva Rodríguez © CNN Portugal

CNN Portugal

O governo da Venezuela lançou uma onda de repressão interna após o ataque dos EUA, prendendo jornalistas e mobilizando forças paramilitares para suprimir qualquer demonstração de apoio à destituição de Nicolás Maduro.

Após a tomada de posse de Delcy Rodríguez como presidente interina da Venezuela, as Forças Armadas prometeram apoiar a até então vice-presidente de Nicolás Maduro na “difícil tarefa que a turbulência geopolítica e a pátria lhe exigem”. “Contem connosco”, escreveu o exército, numa mensagem divulgada no Telegram.

Paramilitares armados, conhecidos como coletivos, foram mobilizados nas ruas de Caracas no âmbito do estado de emergência decretado na segunda-feira, que proíbe qualquer demonstração de apoio ao ataque dos EUA e à captura de Nicolás Maduro.

O decreto ordena que as autoridades “iniciem imediatamente a busca e a detenção de qualquer pessoa envolvida na promoção ou no apoio ao ataque armado dos EUA” contra a Venezuela.

“Não podemos celebrar nada”, lamentou uma mulher que caminhava pelo bairro de Chacao na noite de domingo, citada pelo Financial Times, que preferiu não ser identificada. “Se celebrarmos, os coletivos podem matar-nos.”

Segundo os sindicatos dos media, 14 jornalistas - 11 de órgãos estrangeiros - estiveram detidos durante horas na segunda-feira. A maioria das detenções de jornalistas ocorreu nos arredores do edifício da Assembleia Nacional, na altura em que Delcy Rodríguez tomava posse como presidente interina do país, denuncia o Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa da Venezuela.

Inicialmente, os jornalistas foram autorizados a entrar no edifício da Assembleia Nacional antes da tomada de posse de Delcy Rodríguez, embora estivessem proibidos de tirar fotografias ou de fazer transmissões em direto. Posteriormente, a entrada foi novamente proibida.

Segundo a emissora colombiana Caracol, um dos seus repórteres, Carlos Barragán, e a sua equipa foram “detidos por agentes da Direção-Geral de Contra-Inteligência Militar da Venezuela e mantidos sob interrogatório durante quase duas horas”.

Ravina Shamdasani, porta-voz do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, manifestou-se esta terça-feira “profundamente preocupada com a situação na Venezuela” e defendeu que o povo venezuelano “merece responsabilização através de um processo justo e centrado nas vítimas”.

A responsável avisa que o estado de emergência “levanta preocupações, uma vez que autoriza restrições à livre circulação de pessoas, a apreensão de bens necessários à defesa nacional e a suspensão do direito de reunião e de protesto, entre outras medidas”.

Uma ativista de direitos humanos em Caracas, citada pelo Financial Times, revela que o regime está a exercer uma enorme repressão sobre os venezuelanos, com as autoridades a “revistarem os telemóveis das pessoas para ver se há algo que possa ser interpretado como apoio às ações dos EUA” e que os coletivos foram “mobilizados”, com a instalação de postos de controlo em redor da capital.

Na segunda-feira à noite, a líder da oposição María Corina Machado descreveu a atual situação na Venezuela como "realmente alarmante", apelando a um maior controlo por parte do governo norte-americano. "Delcy Rodríguez é uma das principais arquitectas da tortura, perseguição, corrupção e tráfico de droga", denuncia a vencedora do Nobel da Paz. "Ela [Delcy Rodríguez] é a principal aliada da Rússia, da China e do Irão, portanto, é uma pessoa em quem os investidores internacionais não podem confiar e é rejeitada pelo povo venezuelano."

 

María Corina Machado, que viajou para Oslo para receber o Prémio Nobel da Paz, adiantou que planeia "regressar à Venezuela o mais rapidamente possível", mas não adiantou uma data. Embora o seu paradeiro seja desconhecido, acredita-se que esteja na Europa.

Numa demonstração da tensão que persiste em Caracas, na segunda-feira à noite foram ouvidos tiros perto do palácio presidencial. Um porta-voz do governo venezuelano adiantou que os disparos foram provocados por "drones a sobrevoar a área sem autorização e a polícia a disparar tiros de aviso”. “Não houve confrontos e todo o país está completamente calmo”, assegurou.

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