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Chegada de especialistas na Europa
A Áustria não é o único destino dos talentos científicos americanos. Instituições de toda a Europa estão abrindo portas e oferecendo oportunidades a pesquisadores dos Estados Unidos.
Não apenas a Europa. A Universidade de Toronto admitiu três renomados acadêmicos anti-Trump vindos da Universidade de Yale: Jason Stanley, Marci Shore e Timothy Snyder.
Eva-Maria Holzleitner (na foto), ministra austríaca das Mulheres na Ciência e Pesquisa, acredita que a política da administração Trump em relação ao meio acadêmico representa uma séria perda para a ciência, ainda que outros países possam absorver esses profissionais.
Nesse cenário, o ministério conseguiu atrair cerca de cinquenta acadêmicos provenientes dos Estados Unidos em apenas doze meses.
Metade foi contratada para cargos de docência, enquanto os demais receberam bolsas destinadas a pesquisadores em início ou em fase intermediária da carreira.
Sob a administração Trump, o financiamento federal ficou restrito a pesquisas com clara orientação ideológica conservadora, com a suspensão das subvenções para os demais projetos, inclusive aqueles já aprovados anteriormente.
A Áustria também disponibiliza um portal específico para estudantes que tenham seu direito à educação negado devido à origem étnica, gênero ou engajamento cívico.
Além do corte nas verbas de pesquisa, a administração Trump realizou prisões e deportações de estudantes em universidades americanas por meio do ICE (Serviço de Controle de Imigração e Alfândega).
Bolsas de destaque
Ao mesmo tempo, a Academia Austríaca de Ciências anunciou em 4 de julho de 2025 (data simbólica) seu primeiro programa de bolsas para acadêmicos de qualquer nacionalidade vindos de instituições americanas, financiado pelo Plano Marshall. Em apenas dois meses, foram selecionados 25 bolsistas, cada um recebendo 500.000 euros.
A mensagem da Áustria é clara: estabilidade, incentivo à pesquisa e compromisso com a ciência sem influências ideológicas.
Até mesmo pesquisadores austríacos que buscaram melhores salários nos Estados Unidos estão considerando retornar ao seu país natal, diante dos cortes de recursos e dificuldades enfrentadas por não serem americanos.
Alexander Lex, que pesquisa a interação humano-computador e a visualização de dados para biomedicina e outras áreas, passou mais de dez anos nos EUA como pós-doutorando na Universidade de Harvard (foto) e depois liderou o Laboratório de Design de Visualização na Universidade de Utah.
No verão de 2024, ele deixou o país e ingressou na Universidade Tecnológica de Graz, antes mesmo de Donald Trump vencer as eleições, antecipando as mudanças que estavam por vir.
Naquele momento, poucos poderiam prever que a Áustria passaria a atrair tamanho volume de talento e conhecimento dos Estados Unidos. Ainda assim, o cenário reflete a complexidade e a imprevisibilidade do contexto atual.